Meu nome é Roberto Pinheiro. Nasci na cidade de Exú, em 1959 no sertão pernambucano e criado no município de Parnamirim - PE. Em Salvador, toquei surdo no Trio Tapajós e também toquei com o "Trio Caçulas do Norte" depois entrei num grupo de samba chamado "Os Amigos do Samba". E de volta a Parnamirim encontrei o Enok, meu amigo de infância, e ele me convidou para vir pra São Paulo. E logo que chegamos começamos a tocar. O primeiro show foi em Santa Barbara D'oste transmitido pela Rádio Brasil da cidade. Hoje em dia continuo a tocar zabumba, sou considerado uns dos melhores zabumbeiros do Brasil. Fabrico zabumba, que é considerado tanto na parte visual quanto sonora, como um dos melhores. Sou também compositor e cantor.
Como entrei na música:
Eu comecei tocando pandeiro. Daí me interessei pelo surdo, lá pelos meus 8 anos. Era um pedaço de madeira, arrancado o miolo e com um pedaço de câmara de ar de pneu esticado e preso com uns preguinhos de salto. Só que era uma baqueta só, então eu batia em cima e do lado tipo pa tum ta tum e aí eu comecei a viajar para tocar e o surdo ficou ruim de carregar, portanto voltei ao pandeiro. Em alguns lugares dava prá tocar taró que nem é surdo, nem zabumba, mas dá um som da gota serena! Lá pelos meus treze anos, eu fui tocar com o Enok na cidade do Senhor de Bonfim, na Bahia. Lá ganhamos um dinheiro com o qual eu comprei o meu primeiro zabumba. Ele era grandão, de lata e brilhoso. Meu primeiro contato com ele foi sair tocando, eu já sabia sem ninguém me ensinar. Eu nem sabia que sabia tocar.
Primeiro zabumbeiro que vi tocar:
Eu acho que o primeiro zabumbeiro foi o zabumbeiro de Severino Caboclinho, um cabra que tocava oito baixo lá em Terra Nova, perto de Parnamirim. Eu sei que eu ia ver os bailes de Severino Caboclinho, mas eu aprimorei minhas batidas no zabumba ouvindo os discos Zé Calixto e Zé Raimundo de Caruaru.
Como começou a música no sertão:
Bem, eu acho que primeiro apareceu a sanfona; no tempo em que circulavam andarilhos pelas matas e veredas; no tempo em que trabalhavam só de burro, cavalo, jumento, não existiam carros e máquinas para se trabalhar e levar carga. Daí num desses aglomerados de gente surgiu um com uma sanfoninha e fazia as festas, mas não tinha noção de nada; até que encontraram uns índios e esses índios é que tinham as batucadas - na minha cabeça o que eu faço com a zabumba, vamos dizer, quando eu estou fazendo muito repique, eu estou até pensando com os índios mesmo, batendo em seus tambores. Então, com aquela sanfona que vinha com aquele monte de gente, se juntou os índios, com aquela batucada, e na virada de uma batida para outra, eu acho que nasceu o ritmo - o forró. Aí perceberam que o negócio dava para dançar e aí surgiu os bailes de forró... naquele tempo.
O meu instrumento:
Eu comecei procurando, para comprar, um zabumba de acordo mas eu só encontrava zabumbinhas. Eu nunca mais achei um igual ao primeiro que eu tive. Aí eu resolvi comprar umas peças e montei um, já com dupla afinação, coisa muito rara: afinação individual. Quando ficou pronto tive uma surpresa: deu mais som do que todos que eu já tinha tocado. Aí fui aprimorando e as pessoas começaram a se interessar por comprá-los. Já vendi vários zabumbas: Buiu do Buxixo, Vaninho do Fogo na Coisa, para o grupo Forró Fiando, Seu Jorge, Jair e Marquinhos do Rastapé, Douglas do Falamansa e por aí vai.
Texto adaptado por Jonas Virgulino e Patricia Santuci Carvalho